Glossário

Chimarrita: Dança Gaúcha, Passos e História

Chimarrita é uma dança de pares do folclore gaúcho, de origem açoriana, dançada ao som de gaita e violão em bailes, CTGs e festivais tradicionalistas do Sul do Brasil. Também dá nome ao gênero musical que acompanha a coreografia.

Resposta curta: a chimarrita é uma dança gaúcha de pares, de origem açoriana, também chamada de chamarrita. A estrutura tradicional ensaiada em CTGs e invernadas combina cumprimento, passeio em círculo, sapateio leve, giro, meia-volta e cortejo, conduzidos pela gaita e pelo violão. É uma das danças mais presentes em bailes e festivais tradicionalistas do Sul do Brasil. Apesar da semelhança entre os nomes, chimarrita não é um tipo de chimarrão.

O que É Chimarrita?

A chimarrita é uma dança tradicional do folclore gaúcho e do Sul do Brasil. Também conhecida como “chamarrita” em algumas regiões, é praticada em bailes tradicionalistas, festivais de cultura gaúcha e CTGs (Centros de Tradições Gaúchas). Sua história se conecta à imigração açoriana e à formação cultural de Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

No uso brasileiro, “chimarrita” pode indicar tanto a dança quanto o gênero musical que acompanha a coreografia. Ela é dançada em pares e costuma reunir deslocamentos pelo salão, giros, aproximações e marcações conduzidas pela música. Hoje, faz parte do repertório ensinado por grupos tradicionalistas e apresentado por invernadas artísticas.

O nome frequentemente é associado ao chimarrão por proximidade sonora e por ambos pertencerem ao imaginário gaúcho. No entanto, a chimarrita não é uma bebida, uma receita de mate nem uma variedade de erva-mate: é uma manifestação de dança e música. Nos bailes e encontros em que aparece, a roda de chimarrão pode acompanhar a convivência entre apresentações, reforçando a ligação cultural entre os dois símbolos.

Origem e História

A chimarrita tem origens que remontam aos imigrantes açorianos que se estabeleceram no Sul do Brasil a partir do século XVIII. A dança teria chegado ao Rio Grande do Sul e a Santa Catarina por influência portuguesa, mais especificamente dos Açores, onde existia uma dança similar chamada “chamarrita” ou “charamba”. Ao se misturar com as tradições locais — incluindo influências espanholas, guaranis e africanas — a dança foi ganhando características próprias e se integrando ao universo cultural gaúcho.

As formas “chamarrita” e “chimarrita” refletem os caminhos regionais percorridos pela manifestação. No Sul do Brasil, a dança foi incorporada ao repertório tradicionalista e passou a conviver com outros símbolos da vida social gaúcha. Por isso, em bailes e festas onde ela é apresentada, o chimarrão pode aparecer nos intervalos como elemento de convivência, com dançarinos e espectadores reunidos em torno da cuia e da garrafa térmica.

Ao longo do tempo, a chimarrita ganhou formas locais e versões próprias para apresentações. O movimento tradicionalista gaúcho e os grupos folclóricos ajudaram a organizar repertórios e a transmitir coreografias em CTGs, escolas, oficinas e festivais.

Como São os Passos da Chimarrita?

A chimarrita é uma dança de pares, com os casais dispostos em duas fileiras — damas de um lado, cavalheiros do outro — e movimentos conduzidos pela frase musical da gaita e do violão. A ordem exata das figuras muda conforme a versão adotada por cada CTG ou grupo folclórico, mas o corpo central da coreografia é estável no repertório tradicionalista: passeio, sapateio, giro, meia-volta e cortejo.

As figuras básicas

  • Passeio — Os pares, de mãos dadas ou com os braços unidos, percorrem o salão em círculo com passos deslizados, mantendo o tronco ereto e o olhar no rumo do deslocamento.
  • Sapateado leve — Frente a frente, os dançarinos marcam o ritmo com batidas suaves dos pés no chão, acompanhando a frase da gaita sem exagerar a força.
  • Giro — O cavalheiro ergue o braço e a dama gira por baixo dele, com passos curtos e fluidos; em seguida, é o cavalheiro que pode girar, conforme a versão.
  • Meia-volta — Os dois dançarinos executam uma meia-rotação coordenada e trocam de posição, mantendo a formação das fileiras.
  • Cortejo — Aproximação e afastamento em diálogo corporal: o par se encara, avança e recua, sem unir as mãos, como uma conversa dançada.

Passo a passo da estrutura tradicional

  1. Formação e cumprimento — Os pares se posicionam nas duas fileiras e se cumprimentam com uma reverência leve, marcando a entrada da música.
  2. Passeio inicial — Os casais se deslocam pelo salão em círculo, apresentando-se ao público e ao ritmo.
  3. Marcações com sapateio — Frente a frente, os pares marcam o compasso no lugar, com sapateado leve seguindo a frase musical.
  4. Giro e meia-volta — A dama gira sob o braço do cavalheiro; na sequência, a meia-volta troca os pares de posição.
  5. Cortejo — Aproximação e afastamento em diálogo corporal, o momento de maior expressão da dupla.
  6. Encerramento — Retorno à formação inicial e reverência final, fechando a apresentação junto com a música.

Como ensaiar a chimarrita

  • Ouça a música antes de sair do lugar: identifique o compasso e conte “um-dois” acompanhando a gaita até o ritmo ficar natural.
  • Treine o passeio primeiro: ele é a espinha dorsal da dança; quando o deslizamento estiver confortável, as outras figuras encaixam mais fácil.
  • Ensaie em pares e devagar: sapateio e giro ficam mais precisos quando praticados lentamente antes do andamento real.
  • Deixe a pilcha para depois: comece com roupas confortáveis; bombacha, vestido de prenda e botas entram quando os passos já estiverem seguros.
  • Procure um CTG ou oficina cultural: é o grupo responsável que define a versão coreográfica e a música usada em cada apresentação.

Trate essa estrutura como um mapa tradicional, não como regra fixa: no tradicionalismo gaúcho, cada grupo pode reordenar figuras, acrescentar deslocamentos e adaptar a coreografia ao arranjo musical escolhido.

A música que acompanha a chimarrita apresenta andamento adequado aos deslocamentos dos pares e pode ganhar arranjos diferentes conforme o conjunto. As letras e melodias costumam dialogar com a vida campeira, o amor, o campo e as tradições do Sul — incluindo o ritual do mate, com cuias nas mãos e rodas de chimarrão ao entardecer como temas recorrentes.

A Chimarrita e a Música Gaúcha

A relação entre a chimarrita e a música gaúcha vai além do acompanhamento instrumental. Muitas composições de chimarrita são verdadeiras poesias sobre a vida no campo, os costumes do povo gaúcho e, naturalmente, o ritual do mate. Letras que falam de fogão de chão, de manhãs frias com a cuia na mão e de rodas de mate ao entardecer são temas recorrentes.

O gênero musical da chimarrita influenciou e foi influenciado por outros ritmos sulistas, como a vanera, a milonga e o chamamé. Essa troca cultural resultou em uma riqueza musical que faz do Rio Grande do Sul um dos estados com maior diversidade de gêneros folclóricos do Brasil. Os festivais nativistas — como a Califórnia da Canção Nativa e o Musicanto — frequentemente apresentam composições em ritmo de chimarrita, garantindo que o gênero continue evoluindo sem perder sua essência.

Para quem está começando no universo tradicionalista, esta comparação ajuda a situar a chimarrita entre as danças e ritmos vizinhos:

Dança ou ritmoOrigemTraço marcante
ChimarritaAçoriana, adaptada no Sul do BrasilDança de pares com passeios, giros e cortejo
ChamarritaAçores (Portugal)Matriz da chimarrita, preservada na tradição açoriana
Vanera (vaneirão)Pampa gaúchoRitmo animado, presença constante nos bailes tradicionalistas
MilongaPampa platinoAndamento mais calmo, raiz do vaneirão
ChamaméNordeste argentinoAcordeom marcado, parente musical do pampa

A Chimarrita nos Festivais e CTGs

Nos festivais de cultura tradicionalista e nos CTGs, a chimarrita é uma das danças mais apreciadas. As invernadas artísticas — grupos de dança dos CTGs — preparam coreografias elaboradas que são apresentadas em competições e eventos culturais. A vestimenta é típica: para os homens, bombacha, bota, guaiaca e lenço; para as mulheres, vestido de prenda com saias rodadas e acessórios florais.

O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART) é um dos maiores palcos para a chimarrita competitiva. Grupos de todo o Rio Grande do Sul dedicam meses de ensaio para apresentar coreografias que combinam fidelidade à tradição com criatividade artística. Os critérios de avaliação incluem musicalidade, expressão corporal, figurino e respeito à tradição.

Além dos CTGs, escolas e universidades do Sul do Brasil também promovem a prática da chimarrita em projetos culturais. Essas iniciativas são fundamentais para apresentar a dança às novas gerações e mostrar que a cultura gaúcha vai muito além dos estereótipos — é um patrimônio vivo e dinâmico.

Preservação Cultural

A chimarrita, como outras danças tradicionais gaúchas, enfrenta o desafio de se manter relevante em um mundo cada vez mais globalizado. Os CTGs e os grupos folclóricos têm papel fundamental na preservação dessa tradição, ensinando os passos e a história para as novas gerações. Projetos escolares e festivais municipais também contribuem para manter viva essa expressão cultural que une dança, música e a paixão pelo chimarrão.

Nos últimos anos, redes sociais têm ajudado a divulgar a chimarrita para um público mais amplo. Vídeos de apresentações em festivais alcançam milhares de visualizações, despertando o interesse de pessoas de outras regiões do Brasil e até de outros países. Essa visibilidade digital é uma aliada importante na preservação da tradição, desde que acompanhada do cuidado de manter a autenticidade dos passos e do espírito da dança.

Termos Relacionados

  • Chimarrão — a bebida símbolo da tradição gaúcha, presente nos intervalos dos bailes onde a chimarrita é dançada
  • Roda de chimarrão — o ritual de compartilhar o mate, frequente nos intervalos dos bailes
  • Gaiteiro — o músico que toca gaita-ponto, instrumento central na chimarrita
  • Cuia — recipiente do mate, símbolo presente nas letras de chimarrita
  • Matear — o ato de tomar chimarrão, costume inseparável dos bailes gaúchos

Perguntas Frequentes

A chimarrita é a mesma coisa que a chamarrita? Os nomes designam manifestações aparentadas, mas o uso pode variar conforme a região. “Chamarrita” aparece na tradição açoriana e em comunidades que preservam essa forma; “chimarrita” é muito usada no repertório tradicionalista do Sul do Brasil. Em uma aula ou festival, vale observar o nome e a versão adotados pelo grupo responsável.

Preciso frequentar um CTG para aprender a dançar chimarrita? Não necessariamente. Embora os CTGs sejam os principais espaços de ensino da chimarrita, existem oficinas culturais, projetos em escolas e até tutoriais em vídeo que ensinam os passos básicos. No entanto, para aprender com profundidade e sentir a energia coletiva da dança, participar de um grupo tradicionalista é a experiência mais completa.

Qual instrumento musical é mais importante na chimarrita? A gaita é um dos instrumentos mais associados à chimarrita apresentada em bailes e grupos tradicionalistas. O gaiteiro pode conduzir a melodia e o ritmo, acompanhado por violão e outros instrumentos conforme o arranjo do conjunto.

A chimarrita é dançada apenas no Rio Grande do Sul? Não. A dança também aparece em Santa Catarina, no Paraná e em comunidades tradicionalistas de outros estados. A forma de dançar, o nome empregado e o arranjo musical podem mudar conforme a origem e o repertório de cada grupo.

Chimarrita é um tipo de chimarrão? Não. Chimarrita é uma dança e um ritmo tradicional. O chimarrão é a bebida preparada com erva-mate, água quente, cuia e bombilla. Os nomes são parecidos e ambos aparecem na cultura gaúcha, mas representam práticas diferentes.